O dia  5 de setembro foi lembrado como sendo o Dia da Amazônia. O que será isso? Existe também um Dia do Nordeste, um dia do sul, do sudeste?

Se existem, nunca ouvi falar. Por que então inventar esse tal Dia da Amazônia?

Imagino que a invenção desse Dia tem a ver com o seu contrário, ou seja, a Amazônia vai tendo cada vez menos dias, em decorrência das agressões físicas e culturais que esta região recebe todos os dias e todas as noites. Agressões às florestas, aos rios e, acima de tudo, agressões aos povos que aqui vivem secularmente, aos quais chamamos de povos indígenas, povos ribeirinhos, povos da floresta. É esta a Amazônia que pretensamente ganha um dia especial no calendário.

Se, de fato, existe esse Dia da Amazônia, oficial, e como esta imensa região apresenta uma variedade incalculável de realidades naturais e culturais, seria interessante explicar aos brasileiros qual Amazônia é reverenciada no dia 5 de setembro: as florestas, os rios, os animais silvestres, o solo, os povos, as múltiplas culturas aqui existentes? Ou como ter condição de homenagear isso tudo? Talvez por causa dessa dificuldade, nada se ouviu de especial sobre a Amazônia no dia 5, a não ser notícias sobre as queimadas, a invasão das terras indígenas, líderes indígenas infectados pelo coronavírus, e muito mais notícias do gênero.

Com certeza, oficialmente não são homenageados os Indios e demais povos tradicionais, como são chamados. Isso porque esses povos vão aos poucos reconstruindo a sua História, a sua cultura e todos os seus bens materiais e espirituais tão brutalmente destruídos ao longo dos últimos cinco séculos. E a reconstrução dessa história não interessa ao poder dominante atual, bem ao contrário.

Especialmente nos últimos anos, depois dos governos Lula e Dilma, os povos tradicionais vêm recebendo uma carga pesada com vistas a fazê-los desaparecer dessa Amazônia que oficialmente se quer festejar no dia 5 de setembro.  Torna-se como oficial, isso sim, a invasão das terras indígenas, o derrame de lama, mercúrio, graxa e outros venenos nas águas onde outrora os indígenas pescavam e utilizavam as águas para todas as suas necessidades. Hoje, impossível isso, pois os rios viram lama.

Será que o tal dia da Amazônia não é uma forma de esconder isso tudo?

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PS: Comentário publicado nas 20 emissoras de Rádio da Rede de Notícias da Amazônia, autoria de Manuel Dutra

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