quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Na Amazônia, progresso começa com motossera e trator de esteira

Estas duas imagens mostram uma das formas como se governa um dos mais antigos e importantes municípios da Amazônia, Santarém, no Pará. A primeira imagem reúne dois momentos em que a ambição, a corrupção e o desprezo por aquilo que se poderia chamar "progresso" são capazes de realizar em benefício de grupos sem o mínimo compromisso com a região e, no caso de alguns, nem mesmo com a terra onde nasceram.
Fotos: MD
Esta primeira foto mostra, em primeiro plano, o campo arrasado pela especulação imobiliária, sob a liderança da Buriti Imóveis, um chapéu que abriga outras empresas e suspeitas de irregularidades que estão, agora, sob investigação judicial, após um milhão de denúncias e protestos. No segundo plano, lá atrás, embora já antigo de 40 anos, não deixa de ser emblemático: uma bela serra foi decepada ao meio para atender ao tamanho crescente dos aviões da Varig, já que a serra ficava sob a linha de pouso do aeroporto velho de Santarém. Inexplicavelmente, os engenheiros do Oitavo BEC, do Exército, deram início à demolição da serra quando o novo aeroporto estava para ser inaugurado, como, de fato foi.
Esta segunda imagem, parecida como várias outras já mostradas neste blog, foi feita no dia 29/12/12 e mostra a Praia da Salvação, margem do rio Tapajós, a cabeceira leste da pista do aeroporto Wilson Fonseca e, por detrás, a devastação realizada pela Buriti com autorização da Prefeitura de Santarém. Ameaça ao igarapé formador do Lago Juá, ao lago e àquela nesga de reserva ambiental que fica no meio.

Como se vê, quem hoje reclama da desarborização acelerada do entorno daquela cidade deve considerar que essa prática não é recente, é mesmo histórica, pois, na Amazônia, a herança colonial ensinou bem ensinado que o progresso, no passado, começava com o machado e a caixa de fósforo e hoje começa com a motosserra e o trator de esteira. Não só lá dentro, na floresta, nas nossas cidades também.

O que se verifica nessa cidade paraense é a regra em todos os municípios amazônicos, com raríssimas exceções. Nestas cidades cada dia mais calorentas e insalubres, as árvores, a beleza e a sanidade pública são encarados como elementos contrários ao progresso. Derrube-se tudo, raspe-se o chão, ponha-se um filete de asfalto sobre a terra e faça-se a festiva inauguração. O resto? é resto!



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