sábado, 30 de abril de 2011

Assembleia Legislativa do Pará rivaliza com a Cloaca Maxima

O mais recente capítulo de indecência produzido pela Cloaca Maxima do Estado do Pará, também conhecida como Assembleia Legislativa: Ricardo Monteiro da Silva, hoje com 24 anos, foi admitido na Assembleia em 1988, como técnico legislativo, quando tinha somente 1 (um) ano de idade. Entrevistado com exclusividade por Jalília Messias, da TV Liberal, Ricardo disse que nunca tinha ouvido falar nisso e que jamais pensou, sequer, em ser funcionário da Cloaca paraense. Quase nasceu "laranja"!
Fachada da casa de horrores: deboche aos bravos cabanos e desprezo ao povo
humilde do Pará

A Cloaca Máxima é uma das mais antigas redes de esgotos do mundo. Foi construída na antiga Roma nos finais do século VI a.C. pelos últimos reis de Roma, iniciada por Tarquínio Prisco e concluída Tarquínio, o Soberbo.

Veja o que dizo Diário do Pará de hoje, 1 de maio:

Ex-integrante da Comissão de Licitações da AL está sob suspeita de contratar empresas de parentes. Muito além de fraudes na folha de pessoal, investigação mostra que esquema usava empresas de parentes de uma integrante da Comissão de Licitação.


As fraudes na folha de pessoal da Assembleia Legislativa do Pará não eram as únicas formas usadas para desviar dinheiro da casa. Documentos apreendidos durante ação do Ministério Público Estadual e da Delegacia de Investigações e Operações Especiais (Dioe) revelam que contratos com prestadores de serviço também eram usados como escoadouro do dinheiro público.

O promotor Nelson Medrado diz que embora a prioridade seja a investigação de servidores fantasmas e uso de gratificações fictícias para engordar remunerações, o MPE será obrigado a investigar também a relação da AL com empresas ligadas a servidores da casa.

Um dos casos investigados é da ex-servidora Daura Irene Xavier Hage, que fazia parte da Comissão de Licitações da AL (responsável pelos processos de contratação de obras e serviço). Daura Hage é suspeita de ter contratado serviços de pelo menos seis empresas ligadas a familiares seus. Em dois anos (2005 e 2006, na gestão do hoje senador Mário Couto como presidente da AL), essas empresas fecharam com a Assembleia Legislativa contratos que somaram R$ 8 milhões.

Notas fiscais apreendidas durante busca e apreensão no último dia 19 revelaram ainda que a maioria dos contratos fechados pelas empresas do grupo era em valores próximos a R$ 79 mil. A suspeita é de que esse valor era usado como forma de fugir do processo de licitação do tipo tomada de preço, muito mais rigoroso. Compras e serviços até o valor de R$ 80 mil poderiam ser contratados pela modalidade carta-convite em que são analisadas propostas de três fornecedores.

Imagens:
poszukiwanieskarbow.com / MDutra










Ex-alunos do Dom Amando preparam segundo encontro

Do jornalista e professor Samuel Lima, proclamando as comemorações do Terceirão do Colégio Dom Amando (CDA), turma de 1979, no 2º Encontro, 32 anos após a conclusão do ensino médio. Será nos dias 16 a 18 de dezembro, em Santarém:

Irmão José Ricardo, diretor do Dom Amando. Um
rosto que seconfunde com o colégio
A antiga fachada do colégio e a sua escadaria de muitas histórias.


 








Nossa turma do Terceirão do Colégio Dom Amando (CDA), de 1979, está organizando seu 2º Encontro, agora 32 anos após a conclusão do ensino médio. Será nos dias 16 a 18 de dezembro, em Santarém. A programação ainda está sendo elaborada, mas já começamos a trabalhar para fazer um encontro ainda mais amplo e marcante que o primeiro, realizado no final de 2009.

A seguir, o endereço do blog da turma. Acesse AQUI.
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Um encontro ainda mais marcante

O primeiro rolou exatos 30 anos depois da conclusão do ensino médio. A turma do Terceirão de 1979, do Colégio Dom Amando (CDA), organizou seu primeiro encontro há dois anos, em Santarém. Cerca de 50 dos 109 colegas que haviam concluído juntos o antigo 2º grau participaram, com suas famílias.

Ali, já ficou marcado o 2º encontro, que acontecerá no final de 2011. A comissão organizadora já trabalha com a data de 16 a 18 de dezembro, outra vez na Pérola do Tapajós, no entanto a programação ainda será construída, com a participação de todos.

Havia outra sugestão: a de que o evento fosse realizado em setembro, coincidindo com o Sairé. Mas, até aqui a maioria dos colegas que se manifestou considera mais tranqüilo e compatível (com férias de trabalho e escolares), repetir a dose em dezembro.

O blog do Terceirão, em nova versão, passa a funcionar como “ponto de encontro”. Mandem informações, fotos, notícias dos diferentes pontos do país e do exterior onde vivem e labutam hoje os egressos da turma. A intenção dos editores do blog é mantê-lo sempre atualizado, mas precisamos da colaboração de todos os colegas.

Que venha o 2º Encontro do Terceirão CDA, 1979! Sem dúvida, será ainda mais marcante e participativo.

(a) Comissão Organizadora do 2º Encontro

Imagens: Colégio: flickr.com
Irmão. J. Ricardo: Celivaldo Carneiro/flickr.com

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Casamento "real" - a Globo é mais monarquista do que os ingleses


Irreverência e protestos contra o casamento para turista ver,
 como a macumba da Bahia

"Nós vemos o casamento como um golpe de publicidade da monarquia. (...) Temos uma responsabilidade em relação à maioria da população deste país, que é contra a monarquia, de manifestar nossa opinião." Quem diz isso é Graham Smith, porta-voz de um dos grupos que, na Inglaterra, são inimigos da monarquia e defendem a proclamação da República. Esta notícia está no site da BBC que, como todos sabemos, é uma rede de comunicação da Inglaterra.
Já aqui...

A Rede Globo, com o sorriso de seus locutores, anuncia a megacobertura do cassamento "real", um acontecimento que "vai parar o mundo". O que está parado há muito tempo é o mundo da Globo no seu eterno afã de bajular os governos da Inglaterra e dos Estados Unidos. Barack Obama ou qualquer outro presidente dos USA são sempr apresentados pelos locutores globais como "o homem mais poderosso da Terra!".

Será que tem algum outro país onde um meio de comunicação, usando um bem público que é o canal de radiodifusão, puxe tanto o saco de potência estrangeiras? Assistindo aos telejornais globais fica-se com a impressão de que o Brasil está se desmilinguindo, só mostram o que há de negativo e trágico. A Globo só dá ênfase ao crime e ao futebol. Dos USA e da Europa em geral as notícias quase sempre são agradáveis e sorridentes! Trata-se de um permanente esforço desse tipo de mídia para manter baixa a auto-estima do povo brasileiro. São porta-vozes de forças poderosas e adversárias do Brasil.

Quando falam do nosso País, ficam "sérios", cara fechada, mas quando falam do "príncipe" e de sua "plebeia", rasgam a boca com o tamanho do sorriso. A Globo só não fala inglês porque a maioria dos brasileiros não entendem essa língua.

A seguir, a notícia da BBC em língua brasileira:

"O casamento entre o príncipe William e Kate Middleton, nesta sexta-feira, será motivo de comemoração para muitos britânicos, mas para outros é a chance de seus protestos serem ouvidos.

À frente de alguns dos eventos alternativos no dia está o grupo anti-monarquia Republic, que vai realizar uma festa de rua no centro de Londres com o tema "Não Estamos Celebrando o Casamento Real".

Segundo o grupo republicano, eles estarão "celebrando a democracia e poder do povo em vez de privilégios herdados".

Eventos anti-monarquia

O grupo também está organizando um evento parecido em um pub em Manchester, no norte da Inglaterra, e está divulgando peças de teatro anti-monarquia em cartaz em outras partes do país.

"Precisamos divulgar o fato de que não é o país inteiro que está interessado no casamento real e que uma maioria considerável é contra a monarquia. Precisamos melhorar a percepção das pessoas sobre isso", diz Graham Smith, porta-voz do Republic.

"Nós vemos o casamento como um golpe de publicidade da monarquia. (...) Temos uma responsabilidade em relação à maioria da população deste país, que é contra a monarquia, de manifestar nossa opinião."

O evento em Londres foi inicialmente vetado por uma administração local, depois que donos de lojas ficaram preocupados com uma possível queda nas vendas. O local da festa foi então transferido de Covent Garden para Holborn".

Se desejar, leia mais aqui:

Imagens: tiranada.wordpress.com / poracaso.com



terça-feira, 26 de abril de 2011

Que vêm fazer esses magnatas na Amazônia? Ora, passear, divertir-se e exibir seu poder


Bill Gates e seu avião no aeroporto de Santarém

Forbes, 24 anos antes de Gates, roteiro
parecido

A recente passagem de Bill Gates pelo interior da Amazônia levantou as costumeiras perguntas: o que será que esse cara quer aqui? Comprar um pedaço da floresta? O que será que está por detrás dessa viagem?

A Amazônia atrai visitantes desde tempos imemoriais. Os primeiros, de fato, nem foram visitantes, vieram para ficar e poluir a região e a vida de centenas de povos que aqui viviam desde muito antes do século 17, quando os portugueses decidiram, de fato, assumir o vale do grande rio.

Hoje, a curiosidade continua viva. A visita de gente muito rica, notadamente os estrangeiros, vez por outra, provoca surpresas, mas muitos deles, ou todos que por aqui passaram nas últimas décadas nada vieram fazer além de saborear a vida em seus luxuosos aviões e navios, rodeados de suas cortes com as quais podem se deslocar para qualquer parte do globo terrestre. Qual, então, a surpresa?

Em fevereiro de 1987 eu entrevistei um dos caras mais ricos de então, o magnata Malcolm Forbes, dono da pretigiada revista de assuntos econômicos que leva o nome do dono, já falecido. Forbes, na verdade, veio numa visita prévia a outra que faria a Manaus, onde se reuniu com um seleto grupo de anunciantes de sua revista, num jantar no Hotel Tropical, além de personalidades decorativas, para aquele grupo, como o rei Pelé.

O magnata norte-americano veio no seu trijato, que tem capacidade para 120 pessoas, mas a versão do avião de Forbes cabia tão somente 17 poltronas-camas. O avião tinha um nome: "Capitalist tool", ou seja, ferramente capitalista, e ficou estacionado no aeroporto de Santarém, enquanto seu dono passeava de helicóptero pela região. Bem parecido com o roteiro de Gates, há dez dias.

Navios eram dois, o principal, com heliporto, e um reserva. Depois de alguns contatos que sequer me lembro com quem foi, Forbes marcou uma entrevista em Alter do Chão, num mês de fevereiro de pouca praia. Fomos uns três repórteres. Ele mandou preparar um churrasco na beira do rio, o máximo de "simplicidade" que se concedeu. Depois do churrasco e da entrevista, convidou-nos para um passeio numa de suas lanchas turbinadas.

Extremamente veloz, a lancha atravessou, em escassos 15 minutos, os 16 quilônetros do rio Tapajós entre Alter do Chão e a boca do rio Arapiuns. Depois mostrou-nos o navio-mãe. Nunca tinha visto um palácio por dentro, ainda mais sobre as águas. Nas paredes, fotos de gente rica e famosa que já tinha visitado o palácio de Forbes, entre eles, Ronald Reagan.

Voltando à entrevista, lembro de uma pergunta que dirigi ao intérprete, mas cuja resposta compreendi bem e nunca a esqueci. Indaguei de Forbes o que ele achava, como dono de uma das mais prestigiadas revistas do mundo, estar sendo entrevistado por jornalistas que trabalham e vivem no interior da Amazônia. Após ouvir a tradução, Forbes deu uma risada e replicou ao intérprete: "Tell them I don't believe in such things as simple journalists", they are the same all over the world!" (Creio que foi assim mesmo que ele falou, se as palavras não estiverem bem arrumadas, o sentido, com certeza, foi esse, que traduzo livremente): "Diga-lhes que não acredito nessa ideia de simples jornalistas, eles são iguais em qualquer parte do mundo", e riu de novo.

(Forbes morreu exatos três anos depois da visita a Alter do Chão, aos 73 anos, vitimado pela aids, que foi descoberta depois de seu envolvimento com a atriz Elizabeth Taylor).

Fiz a reportagem que saiu no jornal O Liberal, de Belém. No meio da matéria dominical, um boxe, com um artigo, que segue, tal como escrito na época e com o mesmo título:
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A cápsula de Mr. Forbes

Ao mostrar seu luxuoso Highlander, ancorado perto da entrada do Lago Verde de Alter do Chão, a alguns jornalistas convidados, o milionário norte-americano Malcolm S. Forbes reconheceu estar “out of the world”, fora do mundo, porém que essa incursão ao “exótico” só era possível graças à “cápsula” na qual ele se desloca e na qual está reproduzido, em tudo por tudo, o ambiente de seu planeta distante, seu mundo real. Alter do Chão e sua gente são dados exóticos para Mr. Forbes, da mesma forma como ele e sua corte o são para os nativos.

Dois mundos extremamente distantes, separados sobretudo pela concepção que um tem do outro. Próximos apenas pela facilidade com que o magnata se comunicava, de vez em quando, com o escritório de Nova York.

A presença do Highlander no Tapajós poderia ser um exemplo do deslocamento de fronteiras, que se tocam fisicamente, mas não se compreendem nem interagem. Nada de interpenetração de culturas, como disse Forbes.

Ao deslocarem-se com suas naves aquáticas e aéreas ele e sua corte transportam, na realidade, um pedaço de seu mundo próprio, do qual, em rápidas sortidas, partem para “conhecer” a Amazônia. Por isso, nos cinco dias entre Belém e Alter do Chão, só viram atrativos. Em suas próprias palavras, “tudo tem sido muito mais fácil do que se poderia imaginar. Talvez a nossa comida não seja muito boa porque não tem atraído moscas e mosquitos e nada vi até aqui que me fizesse rejeitar a Amazônia. Tudo que vi é exótico e atrativo. É um paraíso”.

Com certeza Mr. Forbes não analisou que seu navio, asséptico e refrigerado, não é um atrativo para as moscas que sequer têm por onde entrar no ambiente totalmente isolado das condições amazônicas.

A despeito de tantos atrativos e belezas, ele descarta qualquer hipótese de passar alguns momentos dentro da casa de uma família de ribeirinhos, vendo de perto como eles vivem. “Vida simples, nunca mais”, diz com ênfase, acrescentando: “Quando eu era jovem, imaginei viver umas três semanas num ambiente primitivo, porém meus três anos e meio na guerra me foram suficientes”.

Aparentemente aberto na conversa, nada pergunta nem parece realmente interessado nas belezas naturais, das quais fala apenas como um dado econômico. Mas faz questão de afirmar que “Fordlândia não foi um fracasso de Henry Ford. A cidade está lá, tem gente morando e ainda existem seringueiras”. Tem uma visível ansiedade de mostrar, ele também, seu grande êxito, resumido naquele navio onde uma galeria exibe fotos das mais fulgurantes personalidades com as quais priva ou privou algum dia. E peças de arte pretensamente valiosas.

Investir? Não tem qualquer interesse pelo ouro do Tapajós - “uma tonelada para extrair duas”. Turismo sim, porém talvez não para ele, “já muito velho”, mas para quem quiser “investir pouco e ganhar muito”, e Santarém seria um ótimo ponto de apoio entre Belém e Manaus, faltando apenas infra-estrutura.

Ao deixar Alter do Chão na quarta-feira, de helicóptero, e seguir para o aeroporto de Santarém onde apanhou seu Capitalist Tool - um trijato adaptado para somente 17 passageiros - e decolar para Nova York, Forbes iniciava a segunda parte da viagem, o verdadeiro significado da excursão: foi buscar um grupo dos principais anunciantes de sua famosa revista para um banquete em Manaus, acompanhados de personalidades decorativas, como faz periodicamente.

Desta vez, o cenário escolhido foi a Amazônia. Quem sabe, dentro de algum tempo, ele estará anunciando em sua “Forbes” um grande empreendimento turístico em Alter do Chão, onde ele passou quase três dias, tempo demais para um passeio de um homem tão ocupado.
(16.2.87)
Imagens: progressovip.com.br  /  ioffer.com

Exemplo de "democracia"

No Estadão.com.br

É assim que os militares dos USA interrogam seus
prisioneiros, suspeitos ou claramente inocentes.
Pelo menos 150 suspeitos levados à prisão americana de Guantánamo desde 2002 eram inocentes, revelam alguns dos mais de 700 documentos confidenciais do governo dos EUA tornados públicos ontem pelo site WikiLeaks. Os registros detalham ainda a utilização de métodos violentos nos interrogatórios na prisão, o sistema de classificação por grau de periculosidade dos presos e a transcrição de alguns interrogatórios.


De acordo com os documentos, em muitos casos os suspeitos foram detidos após serem confundidos com pessoas procuradas ou simplesmente porque estavam no lugar errado e na hora errada. O Pentágono qualificou o vazamento dos documentos como "infeliz".

Adeus às armas e à hipocrisia nossa de cada dia!

Há muita hipocrisia nessa discussão sobre "desarmamento" no Brasil, depois de mais uma desgraça, como foi o assassinato das 12 crianças na escola do bairro do Realengo, no Rio. Primeiro, seria indispensável acabar ou controlar a corrupção de grupos policiais que tomam as armas dos bandidos para vendê-las, ali na próxima esquina, a outro bandido.

Outra hipocrisia, da mídia, que vocifera contra as armas e não as retira de suas novelas e seu filmes. A exibição de armas nos programas de ficção parece naturalizar o uso delas, como se fossem um brinquedo igual a um que ontem vi no aeroporto de Belém: um garoto de seus 6 anos com um enorme revólver de plástico à mão.

Parece "natural" dar um brinquedo assim a uma criança. É provável que os seus pais sejam favoráveis a mais um plebiscito contra o desarmamento.

Hipócritas somos todos nós, que sabemos onde estão os gargalos (na corrupção, no contrabando e no desinteresse das "autoridades").

A propósito, recebi do advogado e leitor Paraguassú Éleres, o seguinte:

"Com o massacre das crianças em Realengo, voltou à baila a questão das armas no Brasil. Creio que um primeiro passo seria tirar as armas da televisão, com a redução dos "importados" e retirada total das armas das novelas".

domingo, 24 de abril de 2011

Gaúchos aprovam lei que substitui palavras estrangeiras por palavras brasileiras

Da Folha.com
Além do uso abusivo de palavras estrangeiras, estas
 ainda são, com frequência, escritas de modo errado
Os deputados do Rio Grande do Sul aprovaram uma lei para eliminar palavras como "bullying", "spam", "pizzaiolo" e qualquer outro vocábulo estrangeiro sem estar acompanhado tradução nas propagandas e documentos oficiais do Estado.

Aprovada por 26 votos a 24, a lei foi proposta pelo deputado Raul Carrion (PC do B) e institui a obrigatoriedade da do uso de expressões em português no lugar das estrangeiras "em todo documento, material informativo, propaganda, publicidade ou meio de comunicação através da palavra escrita" no Estado.

Ainda caberá ao governador Tarso Genro (PT) sancionar ou vetar a lei.

O principal alvo da regulamentação são estrangeirismos que poderiam ser facilmente substituídos por palavras em português, como os anúncios que trazem o termo "sale" no lugar de "liquidação", mas a lei vai além.

Quando não houver uma expressão equivalente em português, diz o texto aprovado, uma tradução deverá acompanhar com o mesmo tamanho e destaque o intruso linguístico.

sábado, 23 de abril de 2011

Quase 50% da Amazônia estão protegidos contra devastação. No Pará, mais da metade do território

Quase a metade da Amazônia brasileira, hoje, está protegida, por lei, contra a devastação das florestas e outros bens naturais. Mas essas imensas reservas ainda sofrem com a falta de pessoal para fiscalizar a aplicação da lei e para a gestão do ambiente protegido. A lei de proteção cobre mais de 43% do território da Amazônia brasileira, área que corresponde a quase 26% do território do Brasil.

Estas informações acabam de ser publicadas no relatório “Áreas Protegidas na Amazônia Brasileira – Avanços e Desafios”, elaborado pelo Instituto do Homem e do Meio Ambiente na Amazônia, Imazon, com sede em Belém, Pará, e pelo Instituto Socioambiental, ISA, com sede em São Paulo.

Terras indígenas
Somando terras indígenas e os dois principais tipos de unidades de conservação (as de proteção integral e as de uso sustentável, nas quais é possível a extração controlada de madeira, por exemplo), 43,9% do território amazônico está protegido.

É pouco mais do que um quarto de todas as terras do Brasil. E, no caso de alguns Estados, a proporção é ainda mais expressiva: Amapá, Roraima, Pará e Amazonas possuem mais da metade de seu território nessa categoria.

Diz o Relatório, na sua introdução:
Áreas Protegidas são instrumentos eficazes para resguardar a integridade dos ecossistemas,
a biodiversidade e os serviços ambientais associados, tais como a conservação do solo e proteção
das bacias hidrográficas, a polinização, a reciclagem de nutrientes e o equilíbrio climático,
entre outros.

A criação e a implementação das Áreas Protegidas também contribui para assegurar
o direito de permanência e a cultura de populações tradicionais e povos indígenas previamente
existentes.

Em dezembro de 2010, as Áreas Protegidas na Amazônia Legal somavam 2.197.485 quilômetros
quadrados (km2), ou 43,9% da região, ou ainda 25,8% do território brasileiro. Desse total, as Unidades
de Conservação (federais e estaduais) correspondiam a 22,2% do território amazônico enquanto
as Terras Indígenas homologadas, declaradas e identificadas abrangiam 21,7% da mesma região.

Unidades
As Unidades de Conservação podem ser classificadas quanto à gestão (federal, estadual ou
municipal) e quanto ao grau de intervenção permitido (Proteção Integral ou Uso Sustentável). Até
2010, só as Unidades de Conservação federais na Amazônia Legal somavam 610.510 km2, enquanto
as estaduais ocupavam 563.748 km2.

Com relação às Unidades de Conservação de Uso Sustentável – onde são permitidas atividades econômicas sob regime de manejo e comunidades residentes – até dezembro de 2010 correspondiam a 62,2% das áreas ocupadas por UCs (federais mais estaduais), enquanto as de Proteção Integral totalizavam 37,8%.

Desafios
A criação das Unidades de Conservação ocorreu de forma mais intensa entre 2003 e 2006,
quando foram estabelecidos 487.118 km2 dessas áreas. No caso das Terras Indígenas, houve dois
períodos com maior número de homologações: 1990/1994, com 85 novas unidades somando
316.186 km2, e 1995/1998, também com 85 novas unidades, que totalizavam 314.061 km2.

Apesar dos avanços notáveis na criação de Áreas Protegidas, ainda há muitos desafios para
garantir sua consolidação e a proteção socioambiental efetiva. No caso das Unidades de Conservação,
a metade (50%) não possui plano de manejo aprovado e grande parte (45%) não conta com
conselho gestor. Além disso, o número de funcionários alocados nessas Unidades é muito reduzido,
com a média de apenas 1 pessoa para cada 1.871,7 km2.

Imagem: oykosmiguel.blogspot.com

Um não-lugar onde poucos parecemos gente

Fotos: MDutra
Pessoas e coisas que (não) percebemos no chega-e-sai de um aeroporto movimentado
“Se eu ganhasse 1 centavo por cada carrinho desses que empurro por dia, eu estaria bem de vida”, me disse um coletor de carrinhos de bagagem no salão de entrada e saída do aeroporto de Brasília, de porte médio. Mas isso ocorre nos aeroportos pequenos e nos grandes, onde os carrinhos são puxados por minitratores.
Ansiedade dos que esperam: painéis luminosos, horários, números de voo,
celulares e muito nervo no ambiente despersonalizado de uma
estação de aeroporto
O não-lugar é o oposto do lar, da residência, do espaço personalizado. É representado pelos espaços públicos de rápida circulação, como aeroportos, rodoviárias, estações de metrô, e pelos meios de transporte, mas também pelas grandes cadeias de hotéis e supermercados.
Um parada para o celular: por que será que não vieram me buscar
na hora combinada?
Nesses lugares não somos, apenas estamos. E com pressa, de passagem, sem nos mirar nos olhos, pensando no mais-adiante, na minha vez na fila, no cupom, no bilhete de passagem, no caixa automático, no número do vôo, na hora do embarque ditada no cartaz eletrônico. E assim vamos feito marias-vão-com-as-outras, cada qual no seu momento e lugar como peças de uma engrenagem que funciona de modo inexorável, certinhos sob pena de perdermos a vez, o lugar, a razão.
Melhor divertir-se um pouco, transportando o filho junto com as malas
O conceito de não-lugar foi desenvolvido pelo etnólogo francês Marc Augé. Aproveito aqui a reflexão de Cristiane Dias, em seu artigo “Habitar o não-lugar”:

"Para esse autor (M. Augé) o não-lugar não inscreve a identidade, nem a relação, nem a história, pois a história é aí reduzida à informação, a identidade a um conjunto de descrições numéricas, como o número do cartão de crédito, da identidade, do passaporte etc., e a relação com o outro é reduzida à espetacularização (tela, video-câmeras, televisão). Nessa perspectiva, o não-lugar demanda um usuário: ‘Definido por seu destino, a soma de suas compras ou a situação de seu crédito, o usuário dos não-lugares anda ao lado de milhões de outras pessoas, mas está só e são os textos (painéis, discos, vídeos) que se interpõem entre ele e o mundo exterior".
Vai e vem, chega e sai. Rotina de quem viaja com frequência e espanto
para viajantes de primeira viagem
É por isso que não percebemos quem está aí do nosso lado, na fila. Assustamo-nos quando, por algum acaso, alguém nos olha nos olhos e nos dirige alguma palavra. Nos aeroportos isso é cada vez mais frequente, dado o elevado número de pessoas que viajam pela primeira vez ou têm pouco hábito de viajar e perdem-se no meio do burburinho-parafernália e buscam orientação para este espaço no qual não estão acostumadas a se mexer.

Por isso, quase não percebemos as coisas, nem as pessoas na fila, no salão, na sala de embarque, nem os funcionários despersonalizados pelo ambiente desumanizado. Não percebemos, por exemplo, os trabalhadores do aeroporto que recolhem os carrinhos nos quais colocamos as nossas malas e os deixamos em qualquer lugar, sem imaginar que eles devem retornar à ordem perto das esteiras onde outros passageiros pegarão as suas malas.
Ou o ocupante foi carregado ou não tinha muita necessidade dela.
A cadeira de rodas amarga a solidão no meio so salão
Nem damos atenção à funcionária que se antecede aos rapazes que enfileiram dezenas e centenas de carrinhos, adiantando a ordem da coleta de retorno. Nem nos damos conta do que significa passar 8 horas por dia tentando organizar uma parte da desordem que causamos a um aeroporto.

“Se eu ganhasse 1 centavo por cada carrinho desses que empurro por dia, eu estaria bem de vida”, me disse um coletor de carrinhos de bagagem no salão de entrada e saída do aeroporto de Brasília, de porte médio. Mas isso ocorre nos aeroportos pequenos e nos grandes, onde os carrinhos são puxados por minitratores.
Dúvida? Está chegando ou embarcando? Onde é meu portão? Onde estou?
Para onde vou?
Quando desembarcamos, seguimos a procissão rumo à conexão ou à esteira onde pegaremos nossas malas. Depois, no carrinho, empurramos nossos teréns pelo meio da multidão, ouvindo risos de alegria pelo reencontro, choros de despedida e, mais freqüente, a indiferença diante das realidades e do espaço inqualificáveis.
Lá fora, na pista, outro congestionamento. Essas máquinas metálicas estão
em dia para uma boa viagem? Os controladores de voo não vão
cair no sono, como tem ocorrido lá nos States?
No embarque, o aprisionamento num cubículo que nos impõem as companhias, seres hiperracionais que nos querem ver “seguros” à porta do avião. Caminhamos pela manga ou pelo tubo que levará ao número exato da nossa poltrona. E aqui? Imaginamos estar seguros. O desconforto do salão (ou salinha) de embarque dá lugar à “certeza” de que esses homens e mulheres sabem, realmente, mexer com todos aqueles botões que colocarão aquele bichão de aço a voar e, finalmente, nos colocar noutra esteira rolante antes de mais uma esteira cheia de malas que colocaremos em outro carrinho e seguiremos para o táxi ou para o automóvel do ser amado que nos veio buscar.

E, de novo, deixaremos mais um carrinho à deriva. Alguém virá resgatá-lo para, mais tarde, perder-se de novo nesse ambiente que é assim, mesmo, hipermoderno. Mas o que é isso?

sexta-feira, 22 de abril de 2011

A vida imita a mídia


O massacre das 12 crianças no Realengo e o comportamento dos jornalistas

Por Samuel Lima
Docente da UnB, professor-visitante na UFSC e pesquisador do objETHOS

Os tiros que mataram 12 brasileirinhos e o próprio atirador na escola Tasso da Silveira, em Realengo, Rio de Janeiro, há pouco mais de dez dias, ainda ecoam nas redações, escolas de jornalismo, governos, instituições, parlamentos, lares e bares do país. De imediato, reacenderam a polêmica sobre a proibição do comércio das armas, com a provável realização de novo plebiscito. Do ponto de vista da crítica da mídia, e seu comportamento nessa tragédia, há inúmeros caminhos indicados, no entanto quero chamar a atenção para os nominados “crimes copycat”.
A sabedoria convencional atribui à mídia o poder de produzir sentidos, socialmente. Adelmo Genro Filho, um dos grandes teóricos do jornalismo brasileiro, defende a tese de que o “jornalismo é uma forma social de conhecimento, mas não de um conhecimento qualquer, um conhecimento que se amalgama na dimensão singular da vida”. No caso em tela, a força da megacobertura, articulada nacionalmente, mistura sentimentos de solidariedade, indignação, ira cidadã e fervor religioso, com sobras pelo excesso à mimetização daquele dantesco acontecimento.

Depois do massacre de Columbine (EUA), foi o cineasta Michael Moore quem denunciou o chamado efeito “copycat” (imitadores). Lastreada por uma história que valoriza fortemente o belicismo – o porte de armas é preceito constitucional, – os Estados Unidos, um país com forte e admirável cultura comunitária, se viu invadido por uma série de tragédias similares, ceifando dezenas de vidas de jovens dentro do ambiente escolar.

A questão é delicada e envolve um debate público sobre os limites éticos e a responsabilidade, do ponto de vista do interesse público (e não “do público”) dos meios de comunicação. Cobrir a tragédia é parte do compromisso cotidiano da imprensa, mas evidenciar os detalhes sórdidos da trama, satanizando o atirador e, por vias tortas, cumprindo o roteiro pré-definido pelo assassino – corroborado pelos registros deixados. Vi, estupefato, uma reportagem no Jornal Nacional (Rede Globo), do jornalista Eduardo Tchao, tecendo hermenêutica unidirecional a partir de documentos deixados pelo matador: suas ações teriam sido inspiradas pelo Alcorão (?!).

Cristiano Abud (em texto publicado no Viomundo) pondera que seria leviano acusar a mídia pelas atitudes tresloucadas como a do atirador de Realengo. Mas faz um alerta: “A repetição e a espetacularização deles, com infográficos, reconstituições, entrevistas e vídeos exclusivos, passa com certeza uma mensagem, que mentes perturbadas transformam em modelos”. Para Abud, os novos fatos gerados a partir dessa fatalidade no Rio já se fazem sentir: “Já tivemos três casos de copycat – ameaça de bomba (trote) e jovem preso com faca no Rio de Janeiro e assassinato no Piauí. Precisamos de mais?”.

Há um roteiro comum que une todos esses casos, relembrados por ocasião da tragédia na escola carioca: um jovem, com graves perturbações mentais, fortemente armado e com destreza na mão, entra num ambiente escolar travestido de “anjo da morte” e tira brutalmente a vida de dezenas de crianças e jovens indefesos – e, ato final, se suicida. Foi assim na Virgínia Tech University (EUA) e na Jokola High School (Finlândia) em 2007. A mesma história se repetiu tristemente em Albertville (Alemanha) em 2009. Em todos esses acontecimentos lamentáveis, o assassino planejou midiaticamente seu feito e se transformou, no palco dessa mesma mídia que supostamente os condenou, em “modelo” a ser seguido por mentes com iguais margens de delírio e sociopatia.

No limite, seria possível pensar num pacto entre jornalistas e meios de comunicação, balizado pela ética e interesse público? O jornalista Luciano Martins Costa aposta nessa direção: “No caso desse episódio que ainda choca a opinião pública, a publicação do nome do criminoso não poderia estimular outras mentes doentias a repetir o gesto insano? Não seria o caso de um pacto entre os jornalistas para omitir, daqui para a frente, o nome ignominioso?”.

Ainda que seja, como lembra a ombusdman da Folha de S. Paulo, Susana Singer, “difícil distinguir a informação legítima da tentativa única de comover o leitor em um caso tão trágico como o de Realengo”, é fato que o tom maior da cobertura acabou sendo balizado pelas cores torpes do sensacionalismo. Susana reconhece que a Folha “cedeu a essa tentação na hora de relatar o enterro das crianças: apenas o choro de uma mãe amparada por parentes, o ranger dos carrinhos carregando caixões e o murmúrio das lágrimas contidas quebravam o silêncio com que 11 das 12 crianças mortas no massacre foram enterradas no Rio”. Houve três enterros e o clima certamente foi único em cada ato de despedida.

A dúvida permanece, atroz. Afinal, como fazer para não servir de palco midiático aos assassinos como aquele que foi a 13ª vítima da trágica manhã de 7 de abril de 2011, numa pacata escola municipal carioca, que festejava 40 anos de serviços prestados à comunidade? Uma questão a ser discutida, com zelo e rigor, por empresários, profissionais, pesquisadores e estudantes de jornalismo, em todo país.

Imagem: imagensetcetal.blogspot.com

"Grande" imprensa isenta e amante da verdade. Há quem acredite nisso?

Ainda tem gente que afirma que a "grande" imprensa brasileira é tão isenta quanto livre. Livre é, inclusive para manipular a informação e desinformar leitores e espectadores. Aliás, nada melhor para ficar desinformado do que assistir aos telejornais da "grande" mídia e ler os jornais dessas mesmas famílias. Ficamos sem saber o que de fato aconteceu.

Esta capa é verdadeira
Exemplo:
Aí ao lado - Essa foi a primeira página do jornal Estado de Minas no dia seguinte em que Aécio Neves foi apanhado pela polícia carioca dirigindo bêbado e com a carteira de motorista vencida.

Nenhuma palavra sobre o episódio do neto de Tancredo, que
sonha ser presidente do Brasil. A manchete fala da
inocente sacola de plástico.

Se o motorista fosse o Lula, como seria a manchete desse
mesmo jornal? A revista Veja daria na capa uma manchete mais ou menos como essa montagem da foto aí embaixo. Duvida?

A questão funamental é: não há nada demais que um jornal
ou televisão tenham a sua preferência política e torçam por este ou aquele candidato. A questão é que, nesse embate, essa
mídia falseia os fatos, mente e omite a informação sem pudor, causando sérios prejuízos ao cidadão leitor/espectador e a toda a sociedade.

Esta capa é uma montagem

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Traduza a "nossa" língua, do Português para o Brasileiro


Camões

Viajando hoje de manhã por alguns jornais de Portugal resolvi colecionar alguns títulos de notícias e reportagens razoavelmente incompreensíveis para um brasileiro. É óbvio que, para compreender um título, é preciso ler o texto e também estar inserido no ambiente em que a notícia se produziu. Mesmo assim, não deixa de ser interessante a comparação. Se compreender, traduza. A seguir, alguns títulos:

Jornal Público, Lisboa:
Cadastro de terras arranca no Verão em sete concelhos pioneiros

Comboios vão parar entre sexta-feira e segunda

iPhone regista localização dos utilizadores em ficheiro escondido

Fundo mundial de luta contra a sida suspeita de desvio de milhões de donativos

Diário de Notícias, Lisboa
PSD: fasquia alta ao Governo na negociação com a 'troika'

Ramos deixa cair taça e autocarro passa-lhe por cima

Histórico etarra desaparece sem rasto após erro judicial

“Geração à rasca” manifesta-se em Portugal

Correio da Manhã, Lisboa
Greve da CP: utentes podem contar com supressões e atrasos

O bastonário da Ordem dos Médicos critica a contratação de estrangeiros

Diário de Coimbra
Judiciária deteve suspeito da autoria de cinco fogos

Diário de Aveiro
Vagos: Valência da Deficiência em Santa Catarina com muita procura

Diário de Viseu
Moreira é a mais jovem freguesia de nelas



quarta-feira, 20 de abril de 2011

Cabeça PowerPoint, do aluno ou do professor?


Alunos de Jornalismo da UFPA descobrem o prazer do livro na Biblioteca
Central. A Coleção de Obras raras chama-lhes especial atenção


Lembra daquela velha historinha do professor já meio idoso e cujo caderno onde colecionava seus “planos” de aula já estavam com a capa e as páginas puídas de tanto ir e vir nos últimos 30 anos? Há décadas o valente caderninho não recebia nada de novo, isto é, a aula que foi dada em 1978 continuava com o mesmo “plano” em 2010.

Trazendo o relato para os dias de hoje, lembro de outro professor, mais jovem, que entrava e saía da faculdade encurvado sob o peso de uma mala na qual carregava (parece que ainda carrega) um laptop, um projetor e demais tralhas das tecnologias atuais.

Tal esforço se devia ao fato de a escola não fornecer esses equipamentos milagrosos a todos os seus professores. Para não correr o risco de ficar sem ter o que dizer nas suas aulas, o bom mestre arcava com todo aquele peso, depois de ter também arcado com o custo de tudo aquilo. Não corria o risco de entrar em sala de mãos vazias, tal como aquele velho mestre dos anos 70 não podia correr o risco de perder seu caderninho de anotações. Até o dia em que seus alunos resolveram esconder o tal caderno, quase provocando um ataque no velho professor.

Isso me vem à mente porque a utilização do já surrado powepoint parece estar consagrada nas salas de aula. De tudo se põe nos slides, há pessoas que dão a impressão de nada poder falar a uma platéia de alunos que não seja com a projeção na parede. Aliás, passo de vez em quando por um templo “evangélico” onde o pastor também só começa a pregar o que ele diz ser a palavra de Deus depois de acender o projetor de slides num telão, onde estão passagens bíblicas e cantos.

Obs: Como professor, encaro essas tecnologias com otimismo. Uso-as. O reparo que faço é apenas ao excesso, como se, de dentro de um computador e do powerpoint pudesse sair a solução de todos os problemas e esses meios técnicos fossem fonte de todos os saberes.

Pois bem, essas tecnologias são, quase sempre, associadas aos adolescentes e aos jovens. Será mesmo assim? Recentemente levei uma de minhas turmas na UFPA para uma visita à Biblioteca Central. Passaram a manhã toda por entre livros, desvendando os mistérios de grande parte daquele acervo, especialmente ficaram impressionados com o acervo de livros históricos e de obras raras, que não mais se edita.

Tenho observado que, ao serem levados aos livros, os jovens calouros descobrem que podem associar o manancial oferecido pela internet ao manancial existente nos livros. Um não contradiz o outro. A questão é procurarmos encontrar meios, métodos de promover essa associação entre a excelência dos ambientes digitais e da web com o acúmulo de saber e prazer que só se encontram nos livros.

Com criatividade e sem transformar o computador num fetiche ou numa espécie de droga geradora de dependência, nós, alunos e professores, poderemos tirar dele grande proveito para a nossa formação.

Durante uma manhã, em lugar dos computadopres, os livros. Não há incompatibilidade
entre ambos

Responsabilidade social na empresa? O capitalismo é contrário ao meio ambiente


Elmar Altvater
                                                         Quem afirma isso que está no título é o economista e cientista político Elmar Altvater, num de seus mais conhecidos livros, traduzido do alemão, cujo título sintomático é: “O preço da riqueza: pilhagem ambiental e a nova (des)ordem mundial”, editado no Brasil pela Editora da UNESP, em 1995.

Com este título, fica pouco para dizer, tão explícito é seu sentido. Apenas uma explicação, pois o conceito de responsabilidade social é associado à responsabilidade ambiental, uma vez que o ambiente existe porque nele vivem sociedades humanas. Os danos ambientais nada mais são do que danos humanos. Daí o conceito de responsabilidade socioambiental.

Vejamos duas posições, das tantas que há nos mais diversos ambientes acadêmicos e empresariais. O Idec, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, entende que a responsabilidade socioambiental “é uma postura ética permanente das empresas no mercado de consumo e na sociedade. Muito mais que ações de filantropia, a responsabilidade social deve ser o pressuposto e a base empresarial e do consumo”.

Diz mais o Idec: “Essa responsabilidade engloba a preocupação e o compromisso com os impactos causados a consumidores, ao meio ambiente e aos trabalhadores...”

Isso seria a “responsabilidade” dentro da dinâmica do mercado. Nada mal. Porém, este ponto de vista do Idec como que consagra a ideologia e as práticas do capitalismo, restando aos empresários “humanizarem” os efeitos negativos fatalmente produzidos pela economia capitalista de mercado.

Não é esta a constatação de Elmar Altvater. Pare ele, é a própria essência do capitalismo que é contrária ao meio ambiente, portanto incompatível com aquilo a que se chama de preservação ou conservação ambiental. Por que?

Porque foi o capitalismo que gerou a ideologia do crescimento tal como temos na nossa cabeça, inclusive e sobretudo nos países de massas empobrecidas, que desejam a todo custo superar os males da miséria. A pergunta é: como crescer sem destruir o ambiente?

A questão básica é: a ideologia do crescimento, ou do desenvolvimento (esta palavra tem dezenas de sentidos!) determina que o crescimento aspira ao infinito, crescer sempre, acumular ao máximo. E de onde vem o substrato desse crescimento? Da Natureza. Então, como compatibilizar capitalismo e meio ambiente natural/humano?

Explica Altvater na página 311 de seu livro antes citado, que a “comunicação ecológica não pode confiar nos códigos econômicos”, entre outras razões porque “o desenvolvimento é expansivo do ponto de vista quantitativo, mas os recursos naturais, dos quais as estratégias de desenvolvimento se nutrem, são limitados”. Isso nos tira a ilusão de crescimento com preservação ambiental porque o crescimento econômico e o consumo são, por si mesmos, vinculados aos recursos naturais.
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Da esquerda para a direita: M. Dutra, Vera Paoloni e Roland Widmer
Foi com essa temática que participei de um debate no Oitavo Congresso da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro Oeste e Norte, realizado em Cuiabá semana passada. O debate foi no sábado, quando fiz parte da mesa juntamente com Roland Widmer, coordenador do programa Eco-Finanças, da ONG Amigos da Terra, mediado por Vera Paoloni, do Sindicato dos Bancários do Pará (foto).

Imagem de Altvater: n-tv.de

Dois brasileiros, que diferença: Oscar Niemeyer e José Robson do Nascimento

Niemeyer, o maior de todos os arquitetos, em plena atividade.
Orgulho dos brasileiros, assim como tantos outros brasileiros

Robgol, dos gramados para a tribuna. E depois? Para a cadeia?
José Róbson do
Nascimento, mais conhecido como Róbson ou Robgol, é um ex-futebolista brasileiro que atuava na posição de atacante. Hoje, tristemente, responde à acusação de corrupção, depois de sua passagem pela vida política. Seu nome está nas manchetes não pelo brilho de um atleta que encantou multidões e fãs, mas suspeito de integrar uma quadrilha.

O outro brasileiro é Oscar Niemayer, 103 anos, que ontem lançou mais um número de sua revista. Veja a notícia que saiu na Folha.com:

"O músico Chico Buarque e sua irmã, ministra Ana de Holanda (Cultura), estiveram na noite desta terça-feira (19) no lançamento da nona edição da revista "Nosso Caminho", dirigida por Oscar Niemeyer, no Rio.

Aos 103 anos, o arquiteto redige artigos e seleciona pautas para a revista, que este trimestre tem como tema o Caminho Niemeyer, em Niterói. Ao lado de sua mulher, Vera Lúcia, o arquiteto autografou exemplares". 

Que diferença entre estes dois brasileiros! Felizmente, nem todos somos corruptos, embora as manchetes dêem prereência a estes e não a tantos Niemayer que há por este País afora. 

Foto Robgol: alepa.pa.gov.br


terça-feira, 19 de abril de 2011

TV TAPAJÓS: Vânia Pereira Maia conta a sua história, "inclusive como testemunha de um fato importante" revelado há pouco tempo


Vânia Maia, diretora da TV Tapajós
Diante da repercussão do caso que envolve a TV Tapajós, de Santarém, a família Pereira, o senador Jader Barbalho e a Rede Globo, a empresária Vânia Pereira dá aqui, neste blog, a sua versão dos acontecimentos. Escreve ela:

"Não costumo fazer isso, mas em decorrência de notícias e especulações veiculadas por parte da imprensa, resolvi fazer essa manifestação, para que as pessoas de bem que estão acompanhando os problemas existentes no espólio de nosso pai Joaquim da Costa Pereira, possam fazer juízo de valor pautado na realidade dos fatos, agora melhor conhecidos.

Não podemos negar alguns conflitos entre os herdeiros do espólio de nosso pai Joaquim da Costa Pereira, que teve a vida pautada no trabalho e na dedicação à família.

Aqui o desabafo da empresária, diretora da TV Tapajós, de Santarém, sobre o caso que envolve a empresa e a família Pereira, tendo inclusive, chegado ao noticiário nacional.

A empresa Rádio e TV Tapajós é objeto de divergências dos herdeiros, que recebem de graça um patrimônio considerável, composto ainda por duas empresas menores e mais alguns imóveis de valores relevantes.

Como muitos sabem, a Rádio e TV Tapajós foi fundada em 1979 e dela faziam parte dois sócios, Joaquim da Costa Pereira e Paulo Campos Correa.

Testemunha
Vou relatar a história sobre qual parte eu tinha conhecimento, inclusive como testemunha de um fato importante, e a outra parte fiquei sabendo recentemente quando vi os documentos que geraram este “imbróglio” societário que hoje vem à tona de maneira atabalhoada, e nem sempre condizente com os fatos.

Há alguns anos (hoje sei que em 1988) o Sr. Paulo Correa vendeu por contrato particular dito de gaveta as suas cotas (50%) da Rádio e TV Tapajós para o Sr. Eduardo Grandi (advogado em Belém), que logo depois repassou esses direitos do mesmo modo para a empresa Locadora Belauto, de Belém, pertencente ao empresário Jair Bernardino.

Em julho de 1989 foi feita outra cessão de direitos da Belauto para Joaquim e Vera Pereira, mês em que fez-se uma alteração contratual como se o Sr. Paulo Correa tivesse vendido suas cotas para Joaquim e Vera Pereira, nossos pais. Na mesma ocasião foi assinado um contrato de promessa de compra e venda de gaveta de Joaquim e Vera Pereira para a Belauto Automóveis e mais uma alteração contratual sem data, onde Joaquim e Vera vendiam 50% da TV Tapajós para o Sr. Jair Bernardino (nunca apresentada na JUCEPA).

Transferência
O Sr. Jader Barbalho adquiriu da Belauto a participação societária na TV Tapajós. Meu pai foi apenas informado sobre essa transferência dos direitos de 50% do capital da TV Tapajós da Belauto para o Sr. Jader (esta informação vi recentemente). Em 2001, O Sr. Jader Barbalho resolveu regularizar a situação do direito dele. Aqui gostaria de abrir um parêntese e prestar um esclarecimento: em janeiro de 2001 (recentemente vi que foi precisamente dia 03 de janeiro) fui chamada pelo meu pai para ir à sua sala, na sede da TV Tapajós. Ao entrar, vi que estava minha mãe, Vera, meu pai e mais três pessoas: reconheci os Srs. Jader Barbalho e Márcia Centeno, a outra não (depois soube que era um advogado que não sei o nome).

Neste momento fui testemunha da assinatura de um documento que era uma alteração contratual da Rádio e TV Tapajós. Meu pai, minha mãe e o Sr. Jader assinaram o documento e meu pai pediu para eu assinar como testemunha, e assinei. Entendi que meu pai, homem íntegro que era, reconhecia naquele ato o direito do Sr. Jader Barbalho, e assinou sem nenhuma observação a alteração contratual aceitando-o como sócio, pois havia adquirido 50 % do capital da Rádio e TV Tapajós que pertencia a Belauto, que por sua vez havia comprado do Sr. Eduardo Grandi e este do Sr. Paulo Correa.

Desses fatos todos eu tinha conhecimento verbal do último, os outros só fiquei sabendo recentemente. Após este ato, meu pai me disse de viva voz que o Sr. Jader Barbalho era dono dos 50% das cotas da TV Tapajós, mas que isto era um fato que não podia aparecer e determinou que este assunto eu não comentasse com ninguém. Meu pai ainda comentou que Jader e ele haviam feito um acordo de cavalheiros de que o Sr. Jader não interferiria em nada na administração da TV Tapajós e que este contrato deveria permanecer oculto. Fui fiel a promessa que fiz ao meu pai e por este motivo não comentei e não admiti o fato enquanto ele esteve entre nós.

Paulo Correa
Para que fique registrado na história, é importante salientar que nosso pai não alienou, não negociou com nenhum dos que de fato adquiriram os direitos de 50% das cotas da TV Tapajós, vendidas pelo Sr. Paulo Correa.

Sei que este assunto foi comentado por meus pais aos outros irmãos gerados do casamento e disso minha irmã Verinha é testemunha. Tanto é que, no inventário de nossa mãe (que faleceu três anos antes de papai), foi considerada por todos os cinco herdeiros a valorização da TV Tapajós como se fosse só 50% devido à existência deste sócio oculto, e que a empresa como um todo deveria ser passada para ser decidida no espólio de nosso pai.

Sei que nosso meio irmão, Joaquim Cardoso, se não ouviu de viva voz de nosso pai sobre este fato, sempre ouviu dos irmãos comentários sobre a existência deste sócio. Por isso, estranho e não concordo que os quatro irmãos homens, apesar de terem conhecimento do fato há muito tempo, insistam agora em não reconhecer tal situação. Registro que falei a todos os irmãos, em reunião na própria empresa após a morte do papai, que existia um documento assinado pelos nossos finados pais que se referia à situação societária da Rádio e TV Tapajós. Diante dessa situação eu fico apreensiva porque, apesar de ter testemunhado a assinatura da alteração contratual em 2001, não tinha cópia do documento e por isso, na qualidade de inventariante do espólio, tinha dificuldades para incluir este fato dentro do inventário, por conta das reações que podia gerar, inclusive poderia parecer que eu estava “entregando” o patrimônio da empresa à outra pessoa, sem ter um documento em mãos.

Alegação
Tinha receio dos meus irmãos tentarem me desqualificar e solicitar a minha remoção do exercício da inventariança sob a alegação de que eu queria tirar alguma vantagem pessoal ou prejudicá-los, promovendo a desvalorização do principal bem do espólio. Estava num mato sem cachorro, porque sabia da existência de um sócio, mas não tinha como provar. Também estranhava o fato de que, decorrido tanto tempo da morte do papai, o sócio oculto não ter se habilitado no processo de inventário e nem ter nos procurado para exigir o seu direito.

No final de março, recebi uma ligação do Sr. Jader Barbalho informando que eu seria procurada por um emissário dele para tratar da TV Tapajós. No dia 29 de março recebi a visita do Sr. Luziel Guedes, que me entregou cópias dos documentos juntados no processo de inventário e repassados aos advogados de todos os herdeiros (alteração contratual assinada em 2001 e comprovante do registro na JUCEPA) com as assinaturas reconhecidas em 2011 e já registrada na Junta Comercial do Pará e a informação de que já haviam sido feitas declarações retificadoras no imposto de renda do Sr. Jader.

Desta forma, acho que a situação antes de fato foi estabelecida no âmbito formal e por isso ele decidiu apresentar os documentos à inventariante para procurar resguardar seus direitos, já que o patrimônio da herança seria objeto de partilha entre os herdeiros de Joaquim Pereira, embora existiam conflitos pontuais no processo de inventário.

Rede Globo
Preocupada com os riscos e possíveis conseqüências ao espólio, imediatamente solicitei uma reunião extraordinária com a diretoria da Rede Globo e comuniquei todos esses fatos agora sabidos por inteiro. Depois tomei a providência de comunicar no processo de inventário e aos advogados dos herdeiros, para que o Juiz e os herdeiros tomassem ciência do fato novo importante.

Nestes anos todos que estamos à frente da gestão da Rádio e TV Tapajós, somos testemunha de que o Sr. Jader nunca participou da administração, nunca interferiu no jornalismo ou comercial, nunca recebeu pró-labore, nem participação nos lucros (que jamais foram distribuídos e nenhum sócio recebeu, pois os lucros foram sempre reinvestidos na empresa), nunca investiu ou teve qualquer influência na condução desta empresa. Registro também que em conversa com o Sr. Jader, após receber os documentos em fins de março, percebi que a sua decisão foi para resguardar os seus direitos.

Incomoda meus irmãos estarem querendo dizer que o fato não existe, e fazem insinuações maldosas, sem falar em outros adjetivos que lamentavelmente tentam imputar à minha pessoa. Nada, além dos fatos, tenho para colocar em minha defesa. Os fatos estão aí, existem, e sinceramente não sei a quem cabe imaginar que o sócio oculto não viria garantir o que entende ser de direito; ouso dizer que qualquer um de nós também o faria. O Sr. Paulo Correa está muito bem entre nós e pode dar o seu testemunho dos fatos, que sinceramente eu desconhecia maiores detalhes, o conteúdo material, a natureza jurídica e a extensão de todos os episódios e documentos que aqui relatei, porque o que nos foi passado por nosso pai, da mesma forma como deu conhecimento aos meus irmãos do casamento, foi de que o Sr. Jader era sócio e detinha 50% das cotas da Rádio e TV Tapajós.

Alteração contratual
Confirmo isto e sempre afirmei aos meus irmãos que vi, e isso direi em qualquer lugar e em qualquer situação, de fato vi meus pais assinarem a alteração contratual em 2001, documento agora publicamente apresentado com reconhecimento das assinaturas. Fui testemunha deste fato e sempre falei isto aos nossos irmãos.

Outro esclarecimento que gostaríamos de fazer de uma vez por todas: não é verdade que não prestamos contas do espólio aos herdeiros. Desde que nosso pai faleceu, após ter sido nomeada inventariante, prestamos contas todos os meses aos herdeiros e agora à justiça. No ano passado inclusive foram feitas conferências in loco, uma verdadeira auditoria por dois irmãos, acompanhados de um contador e um advogado, e nada existia, e não existe, que desabonasse a nossa conduta e de nossa equipe de trabalho (administrativo e contabilidade geral, quando foram contados até centavos), tendo inclusive uma ata assinada dessa inspeção completa confirmando a realização da fiscalização nos documentos contábeis. Desde janeiro de 2011 as prestações de contas encontram-se nos autos do processo de inventário, que segue o seu curso normal.

Incomoda pensarem que eu faria qualquer coisa que não fosse o correto, o real, o justo. Tenho a minha consciência tranqüila que tudo o que fiz e faço foi sempre em defesa do patrimônio que era do nosso saudoso pai e agora é de todos os herdeiros. Não sou e nunca fui mau caráter, não engano as pessoas, não deixo de pagar meus compromissos, não sou desleal, não dilapidei e não dilapido o patrimônio de ninguém, muito pelo contrário, durante os anos que estive ajudando nosso pai na condução dos negócios, só ajudei a crescer o patrimônio para todos.


Avanços

Só para uma idéia, nesses anos com a ajuda de minha irmã Verinha construímos mais de trinta imóveis (pontos comerciais e residências), reformamos mais alguns, que hoje somam e rendem aluguéis para os herdeiros, além de que negociamos e adquirimos três importantes imóveis que hoje fazem parte do espólio. Nunca vendemos um único imóvel. Na empresa Rádio e TV Tapajós só não vê os avanços nos anos em que estamos à frente da gestão, quem não quer ver!

Os avanços foram visíveis, mesmo aos olhos de quem pouco entende de gestão de empresa de comunicação. A empresa foi mantida esses anos todos com muita responsabilidade e muito trabalho. Não me atingem os adjetivos que tentam nos imputar. O que importa é a nossa consciência, mostrando que fizemos o que deveria ser feito. O que importa é ter visto que nosso pai morreu com dignidade, sabendo que o seu principal sonho estava de pé, com as contas em dia, funcionários pagos regularmente e seu nome era limpo, sem mácula jurídica ou fiscal. Isto para nós é suficiente e gratificante, assim como foi ter tido o privilégio de trabalhar junto ao papai e dele receber muitos ensinamentos e lições, que levarei por toda vida. Por isto, não aceitamos as insinuações feita pela Revista Veja, edição da última semana, razão porque sugerimos aos herdeiros apresentar direito de resposta.


É claro que nos incomodam as atitudes de nossos irmãos e sobre o qual lamentamos muito chegar ao ponto que chegou, mas de uma coisa estejam certos, não enganei e nem quero enganar quem quer que seja; apenas me defendo porque tenho dignidade e não aceito os adjetivos que querem me imputar. Estes são alguns motivos porque não aceitamos proposta de sociedade entre todos os irmãos na sucessão de nosso pai. De resto, continuaremos trabalhando com o mesmo zelo, que sempre tivemos, durante o tempo que Deus quiser.

Dignidade

Qualquer que seja a solução deste “imbróglio”, só quero que as pessoas de bem tenham certeza de que nada fiz de errado e de que minha dignidade e honra é o que tenho de mais precioso e valioso para deixar pras minhas filhas e disso não vou abrir mão. Reservo-me o direito de não mais me manifestar através da imprensa, exceto outra vez para me defender, deixando que o processo de inventário siga seu curso normal, natural, com base na justiça e na verdade, e que nós tenhamos competência para buscar solução para os problemas.

Espero que Deus continue me dando lucidez, saúde, coragem e serenidade para continuar trilhando pelo caminho da verdade e da justiça, com o mesmo caráter e dignidade que me mantive até hoje.

Muito obrigada pela atenção.

Vânia Suely Pereira Maia"