sábado, 18 de maio de 2013

A civilização que fede e faz barulho e o Dia dos Povos Originários da América

No dia dedicado aos Povos Originários da América, ainda oficializado como "das Raças Indígenas", começo com uma experiência pessoal.
No meado dos anos 1990 eu passei um dia na reserva dos Waiãpi, no norte do Amapá. Vi ali um povo alegre e em crescimento, muitos jovens de aspecto saudável, muitas meninas gestantes, como se estivessem desenvolvendo um programa de recuperação numérica. E estavam. Nos anos 1970, acossados por garimpeiros, o povo Waiãpi do lado brasileiro (pois há deles também na Guiana Francesa, do outro lado do Rio Oiapoque) quase chegaram à extinção. A varíola transmitida por garimpeiros quase os destruiu por completo, chegando a menos de 100 indivíduos.
No dizer de João Lúcio d'Azevedo, alcateia de feras investem contra povos dóceis e desarmados, movidos pela ganância do ouro e do poder. Ontem, como hoje (Imagem: veja.abril.com.br).
Quando fui lá, já eram mais de 400. Para acelerar a recuperação os chefes tribais remanescentes quebraram a tradição e permitiram que os adolescentes se casassem para gerar rapidamente novos membros do grupo que corria o risco de desaparecer. E obtiveram êxito.
Esperança de um novo tempo?
(kids.britannica.com)
Lembro bem do Kumaré, de 30 anos naquele momento, que era uma espécie de embaixador do povo Waiãpi, falava bem o Português, viajava regulamente a Macapá para fazer compras e tratar de assuntos de seu povo. Levou-me até a sua casa onde conheci a sua mulher e dois filhos pequenos. Perguntei a Kumaré: Já estiveste em Belém? Ele respondeu: Já fui lá duas vezes levar parentes doentes, no avião da Funai. Fiz nova pergunta: Tens vontade de voltar lá? A resposta dele: Não. Pergunto de novo: Por que? Resposta: Porque lá em Belém faz muito barulho e fede.
Misturados hoje aos brancos, no Congresso. Ainda metem medo e causam ódio aos que ainda não se fartaram de roubar as suas terras e destruir as suas culturas e as suas vidas
(Povos Originários blogspot) 
Não podia ser diferente. A reserva daqueles remanescentes dos povos originários era, espero que ainda o seja, um pedaço do paraíso terrestre. Árvores altíssimas, clima ameno do meio da floresta, rios de águas cristalinas, peixes sem fim, roçados enormes de bananas e cultivo de várias espécies de mandioca e macaxeira. Aqueles narizes e aqueles ouvidos só podiam sentir a agressão civilizada de tudo que existe, ao contrário, nas nossas cidades poluídas e sujas, barulhentas e incivilizadas. Kumaré tinha plena razão.

Por curiosidade, perguntei a ele o significado de seu nome: ele me respondeu que o seu nome significava "aquele que nada rápido". Fiquei pensando que os índios sabem, inclusive, o sentido de seus nomes. Nós, "civilizados", sabemos o que significa Manuel, João, Francisco? E pior, Maicon, Michelly, Evellyn e toda sorte de nomes estrangeiros mal compreendidos e grafados de modo errado, nomes não brasileiros? Onde está a cultura, entre os Waiãpi ou entre nós, os civilizados?   

A jornalista Elaine Tavares escreveu recentemente no site Povos Originários de Nuestra América um interessante artigo que começa assim: "As comunidades indígenas do Brasil estão em processo de crescimento. Desde 1991, segundo mostraram os dados do IBGE, o aumento da população foi de 205%. Hoje, o Brasil já contabiliza 896,9 mil índios de 305 etnias, e em quase todos os municípios (80%) tem alguma pessoa autodeclarada indígena.

Até mesmo alguns grupos já considerados extintos, como os Charrua, se levantam, se juntam, retomam suas raízes, formam associações e lutam por território. Isso significa que a luta que vem incendiando a América Latina desde o início dos anos 90 já chegou por aqui (Leia o artigo completo aqui).

Há um século, o excelente historiador português, João Lúcio d'Azevedo, que residiu em Belém por algum tempo, por volta de 1905, assim escreveu de seus compatriotas do passado, os colonizadores:

"Tétricas figuras são as destes herois do Novo Mundo, quando nos aparecem espalhando o terror entre as populações dóceis e inermes ... Como alcateia de feras, assolando os bosques, nunca esses aventureiros se viam fartos de sangue, e de ouro e poder tinham sede insaciável".

Quando se lê isso, escrito lá distante no tempo, e assistimos, no Congresso Nacional dos Brancos, em Brasília, a luta do agronegócio para avançar ainda mais sobre o que resta das terras indígenas, a impressão que fica é que a luta dos povos originários ainda será longa. E precisa da solidariedade da sociedade envolvente, de brancos, negros, morenos, de todas as cores. Mas atenção: solidariedade, apenas. Não tutela. Disso os índios já estão fartos, seja da tutela e da "ajuda" de religiosos, governos, ONGs, grupos estrangeiros e nacionais e .... 

Mas eles estão chegando lá. Com atos e palavras começam uma vitoriosa reconstrução de sua história, como foi demonstrado há pouco no Congresso, na capital dos brasileiros.

A poesia  de Marlene da Conceição de Sousa pode mostrar a permanência de um passado que resiste, mas que, querendo ou não, está cedendo não por qualquer outro sentimento que não seja a pressão, fruto de uma luta que tem que diuturna.

ÍNDIOS

Era uma vez na América, índios.
A cultura do caçar, do plantar e do pescar.
Lendas, mitos e costumes,
Gente de bem, mas que teve que guerrear.
Era uma vez a natureza em perfeita harmonia.
Salvaguardada por esses heróis, desequilíbrio, não existia!
Mas estes foram expulsos de suas terras
Obrigados a dar lugar à ganância e à insatisfação,
Dos “homens brancos” que aqui chegaram
Para disseminar a destruição.
Agredindo, perseguindo e matando,
Era uma vez nossos irmãos.
E uma Pátria que nunca será a mesma.
Ilusão!
de Marlene da Conceição de SousaIbiassucê - BA - por correio eletrônico

Eterna Amazônia, imagens eternas enquanto durarem...

Coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo:

O documentário “Amazônia Eterna”, de Belisario França, foi o único longa-metragem brasileiro selecionado para participar da mostra “Green Screens”, com temática ambiental, que começa no próximo dia 31, em Nova York.


O filme mostra as diferentes formas de exploração econômica atualmente na Amazônia.

Nota do blog:
A despeito das críticas a que está sujeito o texto do roteiro, como a ideia de atribuir valor à floresta como única condição para mantê-la em pé, dita pela geógrafa Berta Becker (não identificada nominalmente), vale a pena ver o trailer, pela grandiosidade das imagens, aquelas imagens da Amazônia eterna, enquanto durarem...

Oito universidades da Argentina homenageiam o Brasil com títulos a Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, nesta sexta-feira (17), oito títulos de doutor honoris causa, na Argentina. As universidades de Cuyo, San Juan, Córdoba, La Plata, Tres de Febrero, Lanús, San Martín e a Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais homenagearam o ex-presidente em uma cerimônia que aconteceu no Senado argentino.
A cerimônia de concessão de 8 títulos Honoris Causa ocorreu no Senado, em Buenos Aires
Em seu discurso, Lula lembrou que o primeiro diploma que desejou foi o de torneiro mecânico, do qual sua mãe tinha muito orgulho. “A emoção ao receber este primeiro diploma foi a mesma ao receber meu segundo diploma, o de Presidente da República”, lembrou ele. Para Lula, os oito títulos recebidos hoje reviveram aquela emoção.

“Esses títulos não são um reconhecimento [apenas] ao Lula, mas a uma década de transformações democráticas que viveu o Brasil, a Argentina e toda América Latina”, disse. Ele lembrou também o papel crucial do “companheiro Néstor Kirchner” neste processo e dedicou a homenagem ao ex-presidente argentino. “Néstor, esses títulos também são para você”.

O ex-presidente Lula falou também da importância da integração latino-americana, um dos focos de trabalho do Instituto que fundou. “Temos que trabalhar juntos, destruindo as barreiras que nos separam e construindo pontes que nos unam”, afirmou. Ele incentivou maior cooperação entre as universidades brasileiras e argentinas e homenageou os professores e alunos das universidades argentinas que lutaram contra a ditadura militar. Lula falou do papel crucial das relações entre Brasil e Argentina para a integração e brincou dizendo que a Argentina só não pode fazer na Copa do Mundo o que o Boca Juniors fez com o Corinthians na última quarta-feira, ou haverá um grande problema para a integração.

Lula terminou seu discurso falando da crise internacional. “Os que hoje estão em crise, sabiam resolver todos os problemas do meu país”, declarou. Ele falou da falta de peso das decisões dos organismos multilaterais e afirmou que “um dos grandes problemas que vivemos hoje é a falta de decisão política, porque faltam líderes políticos”. E terminou apontando uma saída para a crise: “Deem menos dinheiro para salvar os bancos e mais para salvar vidas humanas”.
Matéria completa AQUI

Matando o Rio Tapajós com o lixo que nós jogamos. Veja estas imagens em vídeo

No último dia 10 postei aqui uma matéria intitulada Beleza e feiura nestas águas. Somos uma geração-lixo? Se você não leu, leia agora e depois clique no link abaixo para ver como não são somente os garimpos do alto Tapajós e Jamanxim os responsáveis pela poluição do mais belo rio da Amazônia.
Isto aqui é em no encontro das águas, em frente a Santarém, na vazante de 2010. No vídeo, veja como foi em Itaituba
Afinal, a região Oeste do Pará investe no turismo crescente, matando a galinha dos ovos de ouro, que é esse imenso rio de praias alvas? Já não está na hora de uma ação decidida da sociedade regional, das ONGs de vários tons, das lideranças comunitárias, das academias e da mídia em favor da vida do Tapajós e de suas quilométricas praias que têm Alter do Chão como principal ícone para o laser local e para o turismo? Ou vamos esperar o lixo e a lama tomarem conta de tudo isso para depois culparmos os políticos.

O vídeo é uma reportagem de uma TV de Itaituba sobre o descarte de lixo na orla daquela cidade. Foi armazenado e postado originalmente pelo internauta Lucivaldo Santos.

Clique e veja, o link funciona rápido.
https://www.youtube.com/watch?v=w8xjjA9xE9k

sexta-feira, 17 de maio de 2013

O Porto de Óbidos, o Mestre Capiberibe e os "doutores" diplomados

Decorridos cerca de quarenta anos, a região possui hoje uma legião de pessoas portadoras de diplomas universitários, aquinhoada ainda com o reforço de mestres e doutores. Apesar disso ressente-se, na conjuntura atual, de uma maior presença de empreendedores competentes e dedicados representados no texto pelo saudoso Mestre Capiberibe. 
Foliões chegando de Manaus desembarcam no porto de Óbidos no Carnaval passado
Foto: www.obidense.com.br 
Por Carlos Chocrón

Ainda jovem, vivendo na Cidade de Óbidos, no Baixo Amazonas paraense, fui contemporâneo do desabamento do recém-construído trapiche por ocasião da atracação do primeiro navio de cabotagem. Obra inovadora com estrutura em trilhos, ao invés do uso das tradicionais peças em madeira de lei, tinha contado com a supervisão constante de grupos de técnicos especializados vindos de outras regiões.

Foi chamado para reerguer a obra o dono de um pequeno estaleiro na Cidade de Santarém, o muito conhecido Mestre Capiberibe. O simples e arguto trabalhador, quando perguntado sobre o assunto nos finais de tarde propícios ao bate-papo molhado, costumava dizer que o excesso de gente “sabida” tinha provocado o desabamento. Ele e sua equipe, utilizando os mesmos trilhos, reforçaram a estrutura original e a obra permanece em operação até hoje.

Decorridos cerca de quarenta anos, a região possui hoje uma legião de pessoas portadoras de diplomas universitários, aquinhoada ainda com o reforço de mestres e doutores. Apesar disso ressente-se na conjuntura atual de uma maior presença de empreendedores competentes e dedicados representados no texto pelo saudoso Mestre Capiberibe.

A que se resume a nossa economia? Qual a nossa produção agrícola e pecuária? O que gera o turismo regional em termos de empregos e renda? O que ganhamos com o desembarque e reembarque de grãos produzidos na quase totalidade em outros Estados? O que possuímos de empreendimentos com características genuinamente industriais? E o extrativismo sem limites vai perdurar? De onde virá o dinheiro para comprar, edificar, morar e pagar as taxas mensais desses enormes condomínios horizontais numa região onde o maior acontecimento de momento parece ser a implantação do Cadastro Ambiental Rural – CAR, que de mais positivo servirá para desnudar o enorme passivo ambiental de nossas propriedades rurais, fruto do uso itinerante da terra caracterizado tanto pelos roçados anuais dos pequenos produtores rurais, como pela renovação das pastagens, pela abertura de novas áreas praticadas pelos fazendeiros regionais.

Se não aprendermos a valorar as pessoas de bem pelo que elas são em termos de responsabilidade pública e capacidade de trabalho, ao invés de cultuarmos figuras oportunistas sem nenhum comprometimento com a região e seus moradores, estaremos fatalmente condenados a viver um presente vazio em realizações social e ambientalmente positivas e duradouras, acalentado por lembranças do passado e órfão de esperanças num futuro melhor.

Belém, sexta-feira, 17 maio, 2013

"Invasor" é o pobre. O grileiro é "empresário"

O Grupo Santa Bárbara, do banqueiro Daniel Dantas, nos últimos anos comprou mais de 50 fazendas no Pará, com área superior a 500 mil hectares. Grande parte dessas áreas são constituídas de terras públicas federais e estaduais. Contudo, nem o INCRA e nem o ITERPA têm adotado qualquer medida para conter a ilegalidade. Doroty Stang sabia muito bem disso e sua morte é a prova do conluio entre lei e crime.
A Comissão Pastoral da Terra, regional de Marabá, fez um estudo em quatro das 50 fazendas pertencentes ao grupo Santa Bárbara, que demonstrou que mais de 70% da área dessas fazendas é área pública. O pretenso "dono" dessas terras é ninguém menos do que Daniel Dantas, aquele que o ministro Gilmar Mendes mandou soltar duas vezes seguidas, diante dos protestos de mais de 40 procuradores da República, de 130 juízes federais e da estupefação nacional.

Leia a seguir a nota da CPT, de Marabá:

"O departamento jurídico da Comissão Pastoral da Terra - CPT da Diocese de Marabá, acaba de concluir um estudo, realizado em 04 (quatro) das mais de 50 fazendas pertencentes ao Grupo Santa Bárbara, o qual aponta que 71,81 % da área que compõe os quatro imóveis é composta por terras públicas federais e estaduais. O estudo foi feito nas fazendas: Cedro e Itacaiúnas (localizadas no município de Marabá), Castanhais e Ceita Corê (localizadas nos municípios de Sapucaia e Xinguara). Os quatro imóveis juntos, possuem uma área total de 35.512 hectares e de acordo com o levantamento feito, desse total, 25.504 hectares não há qualquer comprovação documental de que tenha havido o regular destaque do patrimônio público para o particular, ou seja, mais de 2/3 da área é constituída de terras públicas federais e estaduais.

Em relação à Fazenda Cedro, se apurou que o imóvel de 8.300 ha é formado por seis áreas distintas: área 01 com 1.014,82 ha; área 02 com 4.430,42 ha; área 03 com 1.15,25 ha; área 04 com 791,40 ha; área 05 com 520,40 ha e área 06 com 528 ha. Das seis áreas que compõe o complexo, há documentação legítima apenas das área 3 e 4, totalizando 1.543,25 hectares ou seja 22,8% do imóvel. O restante, 78,02% trata-se de terras públicas do Estado do Pará. O ITERPA e a Ouvidoria Agrária Nacional já foram informados da situação e um processo foi instaurado para apurar o caso.

Sobre a Fazenda Itacaiunas a situação não é diferente. O imóvel de 9.995 ha é composto por 05 (cinco) áreas distintas: área 01 com 3.612 ha; área 02 com 2.169 ha; área 03 com 2.084 ha; área 04 com 1.585 ha e área 05 com 489 ha. Das cinco áreas que compõe o complexo, há documentação legítima apenas das áreas 2 e 3, totalizando 4.253 ha ou seja 42,55% do imóvel. O restante, 58,45% trata-se de terras públicas federais. Essa parte do estudo já foi encaminhada ao Juiz da Vara Agrária onde tramita o processo da Fazenda Itacaiunas.

Já em relação às Fazendas Castanhais e Ceita Corê que juntas totalizam 17.224 hectares, a fraude para se apropriar da terra pública foi ainda mais escandalosa. Utilizando apenas um título com área de 4.356 ha, expedido pelo Estado do Pará em 1962, se forjou matrículas de outros 12.868 ha que formaram a maior parte das duas fazendas citadas. Ou seja, 74,71% do total da área das duas fazendas é composta de terras públicas federais, ilegalmente ocupadas pelo Grupo Santa Bárbara. O Ministério Público Federal será acionado para adotar as medidas legais que o caso requer.

O Grupo Santa Bárbara, do banqueiro Daniel Dantas, nos últimos anos comprou mais de 50 fazendas na região com área superior a 500 mil hectares. Grande parte dessas áreas são constituídas de terras públicas federais e estaduais. Contudo, nem o INCRA e nem o ITERPA têm adotado qualquer medida legal para arrecadar as terras e destiná-las ao assentamento de famílias de trabalhadores rurais sem terra, conforme determina o artigo 188 da Constituição Federal, pois seus supostos [e falsos] proprietários são apenas meros detentores dos imóveis, haja vista a proibição constitucional de posse de particulares sobre bens públicos.

Há seis anos que cerca de 650 famílias ligadas ao MST e à FETAGRI estão acampadas em quatro fazendas do grupo Santa Bárbara (Cedro, Itacaiunas, Maria Bonita e Castanhais), esperando serem assentadas. Os 25.504 hectares de terras públicas ocupados ilegalmente pelo Grupo dariam para assentar cerca de 600 famílias.

Nos últimos 5 anos, seguranças e pistoleiros do Grupo Santa Bárbara, já assassinaram um trabalhador sem terra e feriram à bala outros 33, nas ocupações em suas fazendas. O Grupo tem sido também, frequentemente, denunciado por despejo ilegal, uso de veneno pulverizado por avião, contratação de pistoleiros e uso ilegal de armas de fogo, com o objetivo de expulsar as famílias que ocupam 5 de suas mais de 50 fazendas na região".

No Dia Mundial da Internet, a procura por conexões humanas

Hoje, 17 de maio, é o Dia Internacional das Telecomunicações e da Sociedade da Informação, também conhecido como Dia Mundial da Internet. Criado pela ONU em 2006, foi comemorado ontem em Brasília com lançamento de um selo e evento. De Brasília ao interior da Amazônia, a internet é hoje presença marcante e indispensável, como nesse tapiri ao longo da BR-163, em que a garota manuseia o teclado à espera do ônibus que a levará até a cidade de Rurópolis, onde poderá conectar-se com o mundo.
Foto: Manuel Dutra, Rodovia BR-163, 08.02.2013

A moça que está aí à procura de uma conexão talvez simbolize cada um dos internautas, cada um de nós ávidos não tanto por conexões mecânicas ou eletrônicas, mas de proximidade humana na nossa sociedade de massa, em que a cada dia mais vemos a solidão no meio da multidão. Por isso, talvez, a as chamadas redes virtuais sejam o lócus mais da emoção do que da razão. Hoje é ou seria um dia bom para este tipo de reflexão. Mais ou menos como está na poesia do Site de Poesias, de Danilo Gonçalves:
No Facebook converso
Com quem mora mais distante, 
Mas quem mora no meu bairro 
Não visito como antes. 
No meu Facebook tenho
Uns cento e cinquenta amigos.
Amizades de verdade
São menos de dez, te digo.

Tem gente dos meus contatos
Que vi uma ou duas vezes.
Nunca falamos no Face,
Mas já adicionei há meses.

Nós postamos sobre o jogo,
O clima quente demais,
A cruel segunda-feira
E os assuntos atuais.

A voz, o belo sorriso
E o calor do abraço bom.
Não podem ser transmitidos
Através de emoticons.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Trombas d'água de junho e maio em Santarém - de 2008 e de ontem

Trombas d'água diante de Santarém, sobre o Rio Tapajós, não são novidade. No meio do ano elas podem aparecer sem mandar recado. Desta vez, surgiram ontem, de modo intenso, chegando a fazer o que nunca tinham feito: estragos materiais no Porto da Companhia Docas do Pará
Foto: Reprodução TV Liberal
Em 2008 foi assim.
 Foto: Reprodução TV Tapajós
Ontem, 15 de maio de 2013, foi assim.

10 de junho de 2008 - G1 Brasil
Um tornado com duração aproximada de oito minutos se formou na manhã desta terça-feira (10), em Santarém, no Pará. Apesar de assustar moradores da região, o fenômeno não deixou feridos nem causou danos materiais. 

O chefe da divisão de meteorologia do Centro Técnico e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) em Belém, Bernardino Simões Neto, disse ao G1 que esse tornado pode ser chamado de tromba d'água por ter ficado principalmente sobre o Rio Tapajós. 

Segundo ele, a intensidade do tornado alcançou a classificação F0 na escala Fujita, que vai até 5. Nessa classificação, o fenômeno apresenta ventos intensos entre 65 e 115 km/h e largura de 3 a 20 metros. 

“Esses fenômenos são provenientes de nuvens convectivas, formadas por muita umidade e calor excessivo. A formação dessas nuvens estão associadas a vários fenômenos, desde granizo até nuvens funil, que viram tornados ao tocar a superfície terrestre”, afirma Simões Neto. 

De acordo com o meteorologista, são fenômenos difíceis de serem previstos. “Além de ser difícil de prever, é rara a ocorrência desse fenômeno na região Amazônica. Por ser uma área pouco povoada, não temos muitos registros nos últimos 30 anos”, disse Simões Neto.


16 de maio de 2013 - Diário do Pará
Tromba d’água causa estragos na CDP

Por volta de 9h40 de ontem, uma tromba d’água causou diversos prejuízos no porto da Companhia das Docas do Pará (CDP), em Santarém. Segundo testemunhas, durante uma chuva fraca, um vórtice se formou sobre o rio Tapajós e, em poucos minutos, atingiu diretamente as instalações da CDP. Um funcionário disse que na hora do incidente houve uma grande explosão dentro do galpão principal da CDP e objetos e telhas foram arremessados para vários metros adiante.

Outros imóveis que fazem parte do complexo das Docas também sofreram danos. A direção da CDP ainda avalia o resultado dos prejuízos causados pelo fenômeno natural. Além do telhado, os dois portões de ferro que permitem a entrada na CDP foram arrancados. Nenhum trabalhador ficou ferido.

Não é a primeira vez que o fenômeno acontece em Santarém. Em 2001, uma tromba d’água foi vista sobre a praia do Maracanã. Em 2002 outro fenômeno apareceu na praia de Pajuçara.Uma enorme tromba d’água veio do outro lado do rio Tapajós, em direção a praia do Pajuçara. Mais recentemente, outra tromba d´água se formou na frente da cidade, ficando restrita ao rio.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Enchente deste ano pode surpreender. Subida das águas vai até 15 de junho

O Tapajós deu sinal de leve baixa nas imediações de Itaituba, na semana passada, mas o Rio Negro está subindo muito na região de Manaus. Segundo o Serviço Geológico do Brasil, em 2013 as águas tendem a subir até 15 de junho, portanto, ainda há um mês pela frente para uma cheia não muito grande ou para surpresas. No centro de Santarém, no Baixo Amazonas, há expectativa com o comportamento das águas lá em cima, no Estado do Amazonas. Na Av. Tapajós, bombas devolvem as águas do rio ao seu leito.
No centro de Santarém, bombas da prefeitura devolvem as águas ao Tapajós que jé invade a avenida do mesmo nome
(Foto: MDutra, 11.05.2013)
Manaus – O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) emitiu, na última quinta-feira (2), o segundo alerta de cheia do rio Negro para Manaus. A previsão é que o nível do rio varie entre 28,76 metros e 29,46 metros, um centímetro mais elevado em relação ao alerta anterior, de 31 de março. ”A partir de 29 metros, a gente já considera a enchente como de grande magnitude”, adiantou ao portalamazonia.com o gerente de hidrologia do CPRM, Daniel Oliveira.

A atual cotação do rio é 27,97 metros, conforme medicação desta quinta-feira realizada no Porto de Manaus. O alerta de cheia do Serviço Geológico do Brasil é para nortear as ações Defesa Civil do Município para minimizar danos em áreas de risco.

O CPRM divulgou que o pico da enchente será em 15 de junho. A estimativa é baseada em medições realizadas diariamente no Porto de Manaus, desde 1902. O levantamento aponta 75% de chance do rio Negro chegar ao nível máximo em junho e 18% de probabilidade disto ocorrer em julho. Para maio, a estatística é de apenas 6%.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Porto da Cargill, em Santarém, e o trem da Vale, em Marabá, só deixam o apito e a poeira. O resto é ilusão

Para a população da cidade de Santarém não deve haver muito a lamentar. Todos sabem  que um empreendimento com o Porto da Cargill funciona, para Santarém, assim como o trem da Vale funciona para Marabá: o trem deixa o apito e a fumaça; o navio da Cargill deixa o apito e a poeira da soja que se espalha na redondeza. Com o deslocamento do volume a ser exportado por outros portos, mesmo nas vizinhanças, a cidade só terá a ganhar.

Fotos: Manuel Dutra, 11.05.2013
Cargueiro engolindo soja no Porto da Cargill, ao lado da CDP, em Santarém
O atual debate sobre a capacidade de suporte do porto de Santarém nasceu há bastante tempo. Podemos verificar que esse tipo de discussão vem desde o momento inicial do projeto que foi posto em prática pelos governos militares.

Sua retomada, hoje, se deve ao aumento exponencial da necessidade de exportar soja que, até as pedras sabem e já sabiam há bastante tempo, não seria possível tão somente por Santarém. Da soja e de todo o universo da produção agrícola crescente do Brasil central.

A dúvida sempre foi a localização do porto, pois há meio século já se vislumbrava que um dia, no futuro (que é hoje) aquelas instalações seriam acanhadas para o tamanho e a ambição do projeto de integração comercial e geopolítica dos militares para esta região. Hoje, sem o nacionalismo de antes, a questão é comercial apenas.
A cidade de Santarém, enqauadrada pelas esteiras da multinacional
Fartura
Ocorre que a pressa e a fartura de recursos com que manejava o governo naquele tempo, de forma discricionária, não dava bolas para as protelações parlamentares, nem para os Ministérios Públicos, nem para as ONGs ambientalistas. Quem se pusesse no caminho, já sabia o que lhe aconteceria. Assim sendo, o Porto de Santarém, como todas as demais obras de vulto daquela época, foram realizadas segundo vontades pessoais, pouco ou nada institucionais.

Inaugurado em 11 de fevereiro de 1970, ocupando uma área de 500.000 m², o porto, que fica na confluência do Tapajós com o Amazonas, permaneceu por muitos anos mais como uma promessa do que como realidade. Como é sabido, ele era parte integrante do megaprojeto de ocupação da Amazônia central, na ponta extrema da BR-163.

Representava uma espécie de furo nos esquemas de poder que sempre mantiveram o Porto de Santos-SP congestionado por décadas, desde que nem se pensasse em furar esse esquemão. E Santarém representava um furo considerável nos esquemas dos poderosos sindicatos do Porto de Santos, no que foram sempre apoiados pelas forças políticas paulistas mais retrógradas, aí incluídas as destacadas lideranças do PSDB (Veja, hoje, a guerra verbal entre o governador de São Paulo, Geraldo Alkmin, e o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, sobre a Zona Franca, ambos tucanos!).

Voracidade
O Porto da Cargill, ao lado do Porto da CDP, em Santarém, ali permanecerá por longo tempo, mas as suas operações logo se mostrarão insuficientes para o volume de soja e outros produtos que demandarão, em volume cada vez maior, os portos do Norte e da Ásia.

A voracidade internacional (diga-se chinesa, sobretudo) é tamanha que, justamente hoje no Congresso se trava uma batalha pela tentativa de modernização dos portos brasileiros, projeto estranhamente bombardeado pela direita tucana e assemelhados, eles que sempre defenderam as privatizações, embora a Medida Provisória da Dilma seja apenas uma meia privatização, chamada de concessão.

Projetos outros estão em debate: conclusão da BR-163 cujo asfaltamento se acha a passo de jabuti, ferrovia paralela entre os campos do Brasil central e o porto de Santarém ou os portos projetados de Miritituba, diante de Itaituba, outro possível porto, virtual substituto do atual de Santarém, derivando da Serra do Piquiatuba para a margem do Rio Amazonas. E outras propostas, nas quais pouco se acredita a não ser quando efetivamente postas em prática. Na Amazônia só acredita no primeiro projeto quem não conhece a história desta região.

Seja como for, no horizonte pode-se esperar que o porto de Santarém deixará aos poucos de ser um embarcadouro de soja para retornar a ser a quase insignificância que era antes do porto vizinho da Cargill. Com a rodovia e/ou ferrovia, o porto continuará necessário, mas o grosso do caldo escorrerá pelo chão e não pelas águas.

Seja como for, essa região central da Amazônia será importante ponto de escoamento das riquezas amazônicas e do Brasil central e mesmo de países como Paraguai e Bolívia. Mas as coisas não serão assim fáceis. As lideranças políticas desta região são fracas o suficiente para não se darem conta do momento que a Amazônia e o Oeste do Pará vivem.

Sem lamento
Para a população da cidade de Santarém não deve haver muito a lamentar. Hoje é público e notório que um empreendimento com o Porto da Cargill funciona, para Santarém, assim como o trem da Vale funciona para Marabá (embora em volume$$ muito superiores): o trem deixa o apito e a fumaça; o navio da Cargill deixa o apito e a poeira da soja que se espalha na redondeza. Com o deslocamento do volume a ser exportado por outros portos, mesmo nas vizinhanças, a cidade só terá a ganhar.

Caso o aumento do volume de soja venha a ser exportado por Santarém, onde, em que buraco serão metidas 100, 200 ou mais carretas no pique da produção? Em que rua, praça ou área específica ficarão estacionados esses trens sobre pneus? A projetada Avenida Cuiabá já mal suporta o trânsito urbano, como pode aquele espaço servir de entrada e saída de centenas de carretas geminadas? O tempo passou e o porto de Santarém caducou antes de ser.

Pelo menos, no essencial, melhor para Santarém, que permanecerá com o Porto da CDP na esperança de que ele possa existir para a movimentação de mercadorias que transportem riqueza e não apenas poeira como a soja. A Cargill (quase) nada deixa em Santarém, sob a forma de empregos, impostos, consumo local. O pouco que é gerado vem dos roçados de soja, uma espécie de economia às avessas, que eliminou milhares de pequenos agricultores para implantar a monocultura.

História
A questão fundamental, nesse história toda, ultrapassa o caso dos portos, estradas e a exportação. A questão é a lógica de tudo isso, uma lógica secular que deixou a Amazônia pobre durante 400 anos e, a prosseguir dessa forma, a quantos séculos mais? A região continua exportando matérias-primas, produtos primários. Quem souber qual país do mundo, qual região ficou rica vendendo produtos assim, me avise. O Pará, aliás, inventou ainda a prática de exportar boi em pé. Haja sabedoria nisso, dando o boi inteiro para a Venezuela e o Líbano, onde são criados os empregos, os impostos e todos os produtos que o boi pode oferecer.

Lembro da pergunta de um repórter a um diretor da Cargill numa visita a Santarém: Pergunta: A Cargill vai montar um fábrica de óleo e outros produtos aqui? A resposta: Não iremos esmagar nem um grão aqui, é tudo pra exportar.

Se alguém tinha alguma dúvida, ela desapareceu. Esse modelo, que vai das hidrelétricas às mineradoras, ao garimpo industrial e às multinacionais que pesquisam ouro no Tapajós, tudo isso aí está justamente dentro de um projeto que petrifica a Amazônia como almoxarifado do Brasil e do mundo. E o almoxarifado se localiza nos fundos do palácio. O salão é para outros quinhentos...

domingo, 12 de maio de 2013

Imagens do Lago Juá neste fim de semana de rio cheio

Tempo de enchente, o Lago Juá, situado na área urbana de Santarém, mostrava toda a sua exuberência neste sábado de manhã, com a presença de diversos pescadores em busca dos cardumes de jaraqui e aracu, fartos nesta época. Há seis meses o lago foi o centro dos protestos contra as obras da imoboliária Buriti, que ameaçam a saúde do lago e a fonte de renda de muitas famílias, com a poluição das águas próximas
Fotos: MDutra
 Pescadores cumprem seu trabalho diário. Por trás do lago, a terra raspada pela Buriti, sujeita à erosão e derrame de lama nos igarapés e no lago
 Pescadores à entrada do lago
 O Juá também tem uma bela praia, vizinha à Praia da Salvação. Casas de veraneio estão no fundo esta época
 A tranquilidade do Juá, mata fina da reserva ambiental e o canteiro da empresa que devastou a área
O lago é um santuário de vida natural e humana, além da beleza, de fácil acesso com o Tapajós cheio

As obras da Buriti estão paralisadas por determinação judicial e administrativa. A agressão já está feita às margens da Rodovia Fernando Guilhon, que leva ao aeroporto. Os protestos também estão em recesso. A empresa dá um tempo e espera ganhar a parada. Enquanto isso, em Altamira, no sudoeste paraense, a mesma empresa dá início a a um novo "jardim", dentre os vários que implanta no interior do Pará.

Internet é a mídia mais importante para 88% dos brasileiros

Preferência pela rede supera televisão, jornal, rádio e revistas, revela estudo feito com duas mil pessoas; na opinião de 50% dos entrevistados, a publicidade veiculada na web é considerada a mais informativa e, para 49%, a mais criativa

247 – A internet é a mídia mais importante para a grande maioria dos brasileiros, revelou uma pesquisa realizada pela comScore, em parceria com o Interactive Advertising Bureau (IAB), com duas mil pessoas. Para 88% dos entrevistados, a rede mundial de computadores é a preferida, seguida da televisão – preferência de 55% das pessoas –, dos jornais (44%), do rádio (28%) e das revistas (27%).

Outro importante dado da pesquisa é sobre como os brasileiros veem a publicidade online. Para 50% do público, ela é a mais informativa e, para 49%, a mais criativa. Os anúncios mais memoráveis perdem para os da televisão, na opinião de 48% dos entrevistados, mas ficam à frente dos veiculados em jornais e revistas (10%) e nos rádios (9%). Os anúncios na web influenciam 66% das pessoas a buscarem mais informações sobre a marca anunciada.

O local de trabalho é onde a internet é mais utilizada por 43% de quem respondeu à pesquisa, via computadores e notebooks. O perfil mais comum do usuário brasileiro mais assíduo é a mulher entre 25 e 44 anos, que preferem as redes sociais, enquanto os homens navegam por sites em sua maioria.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Beleza e feiura nestas águas. Somos uma geração-lixo?

Temos o hábito de jogar a culpa nos outros: nos governos, nas "autoridades" de modo geral, nos que não cuidam da vida, nem da sua, menos da dos outros. Esquecemos das nossas próprias ações nefastas e lançamos para a responsabilidade alheia a destruição do Planeta, do ambiente em que vivemos. Sujamos as nossas cidades e  acusamos tão somente a prefeitura de inércia. Acusamos e logo em seguida despejamos o lixo na rua e na calçada.
Fotos: MDutra
A beleza que costumamos fotografar, como esse por do sol sobre o Tapajós, ontem, nem sempre revela o que existe da ação humana debaixo dessas águas sedutoras. Lá  no fundo estão os peixes, esquivando-se do lixo que depositamos dentro da beleza. A segunda foto, aí a seguir, prova que somos hipócritas. Ao mesmo tempo em que louvamos a beleza nos esforçamos por destruí-la.
Este monte de lixo eu fotografei em agosto de 2010, por ocasião da grande vazante do Amazonas e Tapajós daquele ano. Bem no lugar do encontro das águas no tempo da cheia. Se mais procurasse, mais fotos faria. Lixo às toneladas despejadas de dentro das embarcações e da beira da Orla de Santarém. Transformamos o santuário natural em lixão. Tem jeito isso? Ao disseminarmos lixo por toda parte nós viramos lixo também, nos confundimos com ele, interagimos com a imundície. Qual o nosso futuro? Tem futuro assim? 

Tememos uma guerra atômica, perigo real. Mas ao sujarmos a Amazônia, com uma simples garrafa pet ou garimpando e despejando lama nos rios ou derrubando loucamente as matas, cada gesto desse corresponde a uma bomba de efeito imediato ou retardado. Estamos nos destruindo!